quarta-feira, 28 de julho de 2010

Maresia


Leve, fresca, húmida. Por vezes cortante, mas sempre reconfortante. Todos têm um pequeno mundo interior onde pensam, decifram os enigmas, tentam lidar com as dificuldades e arranjar uma solução para os problemas. Tenho duas formas de fazer isto. A primeira traduz-se na música do Jorge Palma, a outra é a maresia. A sério, ver o Sol a esconder-se de nós, atrás de uma ténue linha longínqua, cada vez mais depressa faz-me pensar no tempo que estou a perder ao observá-lo a fugir, mas não tem importância. Ouvir a voz certa para nos reconfortar e sentir a maresia completam tudo. Já não dou importância à companhia, porque uma visão de areia do lado esquerdo, uma visão de areia do lado direito, o mar em frente e o Sol quase a alcançá-lo para se abraçarem e apagarem as luzes, é tudo o que eu podia pedir. Aí basta-me uma guitarra nos braços, para me sentir vivo, que tudo tem afinal um sentido e que o problemas se resolvem sozinhos se assim quisermos. Nunca precisamos de mais ninguém para ser felizes. Basta sermos quem somos e nunca nos arrependermos daquilo que somos e nos tornámos. Só temos de agradecer pelo que temos e lutar pelo que queremos. Não vou baixar os braços e deixar que me pisem, tenho a minha maresia, a minha guitarra e o meu mundo.

Se conseguires seguir tudo isto, ensina-me. Sempre tive uma enorme mania de achar que tudo gira à nossa volta, à minha volta, que tudo tem de passar por mim, apesar da minha enorme vontade de alterar isto. Da mesma forma que não conseguimos alterar as nossas necessidades, nunca nos conseguiremos alterar a nós próprios, e eu já não tenho respostas para todas essas perguntas - É impossível mudar. Se outrora achei que tudo era possível, sinto-me agora resignado, desmotivado, com vontade de ser apenas eu próprio, sem tentativas falhadas de me disfarçar de nada. Lembram-se, O Disfarce? Será que o esforço vale a pena? Preciso de mais uma maresia, pois só quando estou nela consigo responder a muitas destas perguntas. A maresia forte, cortante mas com uma humidade e frescura reconfortante no Verão. Eu sempre gostei de sentir o vento na cara, forte, leve, quente, cortante. A maresia é diferente, porque tem esta capacidade invejável de quando tudo é uma merda, me fazer conseguir sorrir, não para esconder nada, mas porque podia ser pior. Precisava de sentir a maresia todos os dias, sim, precisava.

1 comentário:

  1. Que bonito texto João.
    Continua :D

    Ass: Tatiana Revez

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