sábado, 6 de março de 2010

A saudade

Sentir a falta de algo chama-se saudade. Pelo menos é o que sempre me ensinaram desde que era um miúdo tímido e curioso. Nessa altura decidi que ia ter saudades dos amigos quando estivesse de férias, e que ia ter saudades de Coruche quando estivesse de férias. Com o tempo amadureci, assim como a minha saudade. É como se uma mão forte e áspera me afagasse o rosto, e deixasse arranhões leves mas suficientemente importantes para não me esquecer. Também sempre me ensinaram que era mau ter saudades, que era sinal de que algo ou alguém de quem gostávamos não estava mais presente. Também essa minha ideia amadureceu. A saudade é sinal de que amamos alguém de verdade e quanto mais o tempo a faz crescer mais faz dela a prova de que o amor é real, e dificilmente desaparecerá.

Há três verões que sinto a tua falta. Parece que é isto aquilo a que chamam saudade. Mas não sou egoísta, tenho perfeita noção de que estás melhor sem mim, quem sabe num sítio melhor. Gostava apenas que soubesses que tenho saudades tuas, e que a minha vida não está de maneira nenhuma melhor sem ti porque és insubstituível. Gostava que soubesses que te devo tanta coisa. Ajudaste-me a crescer, como homem e como pessoa e provavelmente nunca reparaste. A tua capacidade de transmitir confiança é tão grande que só de te observar eu já crescia e no entanto fazia-lo com tanta simplicidade e humildade que me punhas nervoso. Nunca fomos de muitas palavras, mas entre nós o silêncio substituía qualquer conversa, a sério: qualquer conversa. Gostava que soubesses que bem cá no fundo continuo a pensar em ti todos os dias e era capaz de trocar anos de vida só para te poder abraçar por uma última vez que nunca existiu. Não me arrependo de nada do que fiz, ou que tenhamos feito, mas gostava que soubesses que desde há três verões que não me sinto como me sentia contigo, porque me fazes falta, porque sinto saudade.

6 comentários:

  1. Penso que sei de quem falas.
    Texto extremamente bem escrito, para variar. Fazes fluir as palavras como elas fossem apenas sentimentos, tão confusos mas tão simples simultaneamente.

    Um beijo,
    Rita Marques

    ResponderEliminar
  2. Olá João (Grandinho) hihi

    Como já tinha dito, adoro a tua maneira de escrever, como expressas os teus sentimentos numa maneira simples, usas sempre as palavras certas e comparas coisas que nunca pensei em comparar.

    Sei a quem te referes, e felizmente até agora nunca perdi ninguém de quem gostasse tanto, por isso não sei como é ter saudades de uma pessoa que esteve sempre presente nas nossas vidas, e que de repente num momento para o outro desaparece.
    Não podia deixar de comentar este texto, para dizer que podes contar comigo para o que precisares, eu sei que nos conhecemos à muito pouco tempo, mas eu sou assim tenho sempre necessidade de ajudar os outros.

    Beijos,
    Tatiana Revez.

    ResponderEliminar
  3. lol, sei exactamente o que queres dizer em cada palavra. ng te conhece melhor que eu :P
    concordo com a rita e acrescente. um dos melhores senao o melhor

    ResponderEliminar
  4. texto extremamente profundo e bem escrito. Um grande abraço, e peço-te que continues a mostrar ao mundo que ainda há pessoas que são puras e que têm ideais.
    Abraço!

    ResponderEliminar